22 de janeiro de 2016

A gestação da atemporal segunda geração do Pontiac Firebird


Se inúmeros exemplos na história desmistificam a ideia platônica de que um clássico nasce tão repentinamente quanto o que se entende como um surto de inspiração que fervilha de forma explosiva na cabeça de um poeta visual (leia-se designer), a segunda geração do Pontiac Firebird já havia se consumado como um embrião poucos meses após a estreia da primeira. O clima de competitividade no mercado estadunidense, oligopolizado na época pelas Big Three, apertava cada vez mais os prazos das equipes de criação e instituira mudanças religiosamente anuais, por mais triviais que fossem, na maioria dos carros. Portanto, era muito mais comum do que os dias atuais preparar gerações de um mesmo modelo quase que simultaneamente, porém simplesmente porque era rentável e por isso os fantasmas da contenção de gastos não atormentavam os sonhos dos gestores dessas corporações com tanta frequência.

31 de agosto de 2015

As origens da Sabrico, o primeiro concessionário autorizado Volkswagen do Brasil



Já faz cerca de seis anos que a Sociedade Anônima Brasileira de Intercâmbio Comercial rescindiu seu contrato com a Volkswagen e fechou suas portas. Tradicionalmente conhecida como Sabrico, a revendedora e distribuidora paulista ostentou por quase sete décadas de existência a condição de seu pioneirismo na representação ─ e, em seus primeiros dias, também na montagem ─ dos veículos do fabricante alemão no Brasil. Independente de seu legado histórico, questões econômicas, estratégicas e administrativas tanto já colocaram a Sabrico, em algum momento da história, em uma situação equivalente à de braço direito da Volkswagen no Brasil quanto liquidaram sua permanência no mercado.

17 de agosto de 2015

O mistério do Esporte Brasília



Batizado em homenagem à nova e recém-fundada capital federal e com mais de uma década de antecedência em relação ao modelo da Volkswagen, o Brasília é provavelmente o primeiro automóvel brasileiro de características esportivas a ser produzido em uma certa escala por um fabricante independente, ainda que fosse limitada. Muito embora aparentasse em alguns pontos um veículo fruto de um trabalho amador, o Brasília não era uma mera experiência de fundo de garagem, pois o mesmo era produzido ─ mesmo que fosse de maneira artesanal e diante de toda a escassez de recursos técnicos da época ─ no Rio de Janeiro (RJ) pela Fábrica de Carroçarias Esportivas Ltda., uma subsidiária da Cássio Muniz S.A., uma grande corporação da época que controlava empresas dos mais diversificados ramos possíveis e era sediada na Rua do Arouche, 23, no bairro da República em São Paulo (SP).

27 de julho de 2015

Rotamaq, a linha de montagem circular da Gurgel



Entrou para a história do automóvel no Brasil o desfile do dia 7 de setembro de 1987 de Brasília, simbolizando naquela ocasião a data de independência tecnológica da indústria automobilística local. Celebrava-se merecidamente a passagem e a apresentação ao público presente dos protótipos do que viria a ser a próxima tentativa de um carro 100% brasileiro, até mesmo de conjunto motriz; a única, no entanto, que vivenciou o martírio de uma efêmera realidade. É bem provável que o BR-800 tenha finalmente mostrado a verdadeira razão que justificava a existência da Gurgel, mesmo após uma vida inteira dedicada à produção de veículos utilitários e fora-de-estrada. No entanto, o mais "teimoso" dos sonhos de João Augusto Conrado do Amaral Gurgel (1926-2008) era produzir o "carro popular" ─ trocando em miúdos, um veículo compacto, econômico e acessível a grande parte da população.

9 de julho de 2015

Miura 'Sport' e MTS: os primeiros dias de um fabricante independente de sucesso ─ Parte 3



Muitas vezes o imaginário coletivo enxerga a virada de uma década como um sinal de recomeço ou provavelmente também como a chegada repentina de um futuro que até então parecia distante. Por mais que a fantasioso (ou não) que isso possa parecer, a sensação iminente de novos ares é quase sempre preponderante, muito embora não signifiquem necessariamente boas realizações. Ao contrário da maioria de seus rivais, o Miura escapou de uma existência efêmera e fez da década de 1980 o seu período áureo, passando a ser o principal exponente entre os esportivos fora-de-série brasileiros. Enquanto não havia uma transformação radical, como por exemplo, um modelo inteiramente novo, a Aldo Auto Capas decidiu apontar alguns sinais ao introduzir algumas grandes surpresas ao que já produzia.